Os quatro requisitos de sustentabilidade em Grandes eventos .

Os quatro requisitos de sustentabilidade em Grandes eventos .

Do esporte à música, a contribuição dos espetáculos
para o avanço da sustentabilidade.

Nos últimos anos, a indústria de eventos no Brasil vem se consolidando e demonstrando
forte expansão. Aos poucos, passa também a responder às demandas do mercado
no tocante à sustentabilidade, assim como diversos outros setores, desencadeando
um processo de responsabilização pelos impactos diretamente causados pelos
eventos e sua cadeia de fornecimento. Os avanços da discussão global resultaram
em normas e guias de orientações para relatar ações ligadas ao tema. Os requisitos e
questões trazidas nessas referências foram utilizados como base para análise das iniciativas
de sustentabilidade entre os eventos sediados no Brasil. O Rótulo Ecológico
para Eventos Sustentáveis da ABNT foi escolhido como o principal padrão por apresentar
o conteúdo mais próximo à realidade dos eventos organizados e sediados no
território nacional. Por se tratar de uma ferramenta de autorregulação, acredita-se
que exista um potencial para que se torne uma prática amplamente difundida no
mercado e, quem sabe, uma inspiração para redação de políticas públicas.
ABNT – Rótulo Ecológico para Eventos Sustentáveisv. O programa de rotulagem
ambiental da ABNT é voluntário, abrange diversos setores e tem como objetivo
central comunicar aos consumidores que um produto ou serviço específico
contempla uma série de critérios de desempenho ambiental. No caso do Rótulo
Ecológico para Eventos Sustentáveis, os critérios incluem as dimensões ambiental,
social e econômica e foi desenhado de forma a abranger quaisquer tipos de
eventos (de reuniões a eventos esportivos), independentemente de sua localização.
O programa é alinhado às normas ISO relacionadas a rótulos ambientais, bem como
aos demais sistemas de gestão e avaliação do ciclo de vida, e às normas técnicas
relacionadas à classificação de resíduos sólidos. Uma das referências foi a norma
internacional ISO 20121 (sustentabilidade em eventos). Os critérios estabelecidos
no procedimento tocam em temas como:
• atendimento à legislação ambiental, de saúde e segurança ocupacional e
trabalhista;
• gestão de materiais, resíduos, água, energia, de emissão de carbono e
transporte;
• engajamento da comunidade local;
• priorização da contratação de fornecedores locais.
ISO 20121 – Sistemas de Gestão para Sustentabilidade em Eventos – Requisitos
com Orientações de Usovi. Vinda de um esforço conjunto do setor de eventos em escala
mundial, esta é uma norma de certificação voluntária e propõe um olhar crítico
buscando identificar os impactos negativos e potencializar os positivos relacionados
às oportunidades decorrentes dos eventos, visando criar um sistema de gestão para
melhorar a sustentabilidade em eventos de diferentes tamanhos, regiões geográficas e
contextos culturais. Lançada em 2012, a norma engloba as três dimensões da
sustentabilidade e a cadeia de fornecimento, passando por questões relacionadas
aos organizadores de evento, trabalhadores, cadeia de valor, participantes, órgãos
reguladores e comunidades. Um dos resultados esperados de sua aplicação é a melhoria
na comunicação entre as partes interessadas sobre os impactos ambientais,
sociais e econômicos ocasionados pelo evento. Por ser uma norma ISO de sistema de
gestão, possui a estrutura de melhoria contínua (PDCA – Plan, Do, Check, Act) e está
alinhada a normas como ISO 9001 (sistema de gestão da qualidade), 14001 (sistema
de gestão ambiental), ISO 26000 (sistema de responsabilidade social), SA 8000 (responsabilidade
social) e OHSAS 18001 (saúde e segurança ocupacional).
UNEP-ICLEI – Green Meeting Guidevii. Elaborado em 2009 por meio de uma parceria
entre a United Nations Environment Programme (UNEP) e o ICLEI – Governos
Locais pela Sustentabilidade, a motivação veio de uma demanda interna da própria
ONU, que é responsável pela promoção de grande número de eventos de portes
variados ao redor do mundo. O documento foi elaborado com foco nos tipos de
eventos mais frequentes, ou seja, pequenos e médios com até 200 participantes.
Estruturado de forma didática, o guia apresenta as justificativas para a adoção das
práticas de sustentabilidade e contempla um checklist para sua verificação e avaliação.
O conteúdo abrange temas como:
• questionamento da real necessidade da realização do evento;
• práticas de sustentabilidade adotadas no setor hoteleiro e no serviço de alimentação
a ser contratado.
GRI – Sustainability Reporting Guidelines and Event Organizers Sector Supplement
(2012)viii. A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização não governamental,
referência no estabelecimento de diretrizes para a elaboração de relatórios
de sustentabilidade utilizadas voluntariamente por empresas do mundo todo, e desenvolve
suplementos setoriais para abranger as particularidades de determinados
setores, como é o caso do suplemento setorial de organizadores de eventos. O documento foi criado para atender à expectativa crescente por transparência em diferentes
tipos de eventos a partir do olhar do ciclo de vida completo, abrangendo desde
a concepção até o pós-evento. O relato pode ser feito tanto por ocasião do planejamento
do evento, como instrumento orientador para a previsão de impactos por
ele ocasionados, quanto para reportar os indicadores que foram mensurados de fato
após a realização do mesmo. A reflexão decorrente da criação e mensuração dos indicadores
fornece importantes insumos para a gestão dos impactos sociais, ambientais
e econômicos dos eventos. Alguns pontos relevantes relacionam-se à:
• seleção do local de realização do evento;
• criação de valor resultante das iniciativas de sustentabilidade;
• seleção de fornecedores, planejamento e gestão do legado;
• iniciativas de acessibilidade.
Com o objetivo de facilitar a visualização sobre o atendimento dos requisitos de
sustentabilidade do Rótulo Ecológico para Eventos Sustentáveis da ABNT em eventos
sediados no Brasil, foi elaborada uma tabela comparativa, que apresenta os requisitos
da ABNT combinados com pontos relevantes e complementares trazidos pelos documentos-
referência (UNEP, GRI, ISO).
No documento da UNEP, chama atenção a proposta de questionar a real necessidade
do evento, de forma que os impactos negativos sejam evitados ao máximo.
Outros dois pontos importantes são: a seleção dos serviços de acomodação com requisitos
de gestão de recursos e de resíduos, e do cuidado com a composição dos produtos
de limpeza utilizados nos estabelecimentos; e os serviços de alimentação, que
devem utilizar alimentos da época, com preferência aos orgânicos e à produção local.
Do Suplemento Setorial para Eventos do GRI, extraiu-se o item “transparência” por
ser intrínseco aos relatórios de sustentabilidade, importante ferramenta na divulgação
de práticas e desempenho das empresas junto às partes interessadas. Outro indicador
relevante é a avaliação da cadeia de fornecimento, sobre a qual devem ser
considerados seus principais impactos na economia, sociedade e meio ambiente, e
endereçados esforços específicos. Para as iniciativas em acessibilidade, ressalta-se
que um evento deve permitir o acesso de todos de forma digna e sem barreiras físicas.
A ISO 20121 traz em seu corpo o comprometimento com a sustentabilidade do
evento, representado pela política de sustentabilidade, que deve ser estabelecida e
documentada pela alta direção da empresa no início do processo. A norma traz, também,
a avaliação de riscos e oportunidades, o que permite a identifi cação dos efeitos
positivos e negativos que potencialmente podem estar relacionados ao evento.

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